Foto histórica do transporte de passageiros nas estradas de Pitanga e Guarapuava — de um tempo em que o asfalto era apenas um sonho distante.
Atolava o ônibus, atolava a viagem… mas não atolava a coragem de quem precisava seguir em frente.
Era sacolejo, lama, empurrão e fé — tudo junto, no mesmo percurso.
E hoje a gente reclama de buraco no asfalto…
Penso eu: “o povo sofredor…” — e ainda assim, firme, resiliente, sem opção de desistir.
Havia um tempo em que ser pitanguense era, antes de tudo, saber esperar… e empurrar. A Serra da Pitanga não era apenas um trecho do caminho — era quase um teste de caráter. A estrada de terra, que hoje a gente cruza pela PR-466 com pressa e ar-condicionado, já foi um desafio diário entre Pitanga, Guarapuava e Campo Mourão.
O ônibus vinha cheio — de gente, de histórias, de necessidade. Parava não por escolha, mas por destino: atolado. E então desciam os passageiros. Não havia muito o que discutir. Era empurrar ou ficar. Sapato limpo era luxo, roupa passada não resistia, e o relógio… esse ninguém levava muito a sério.
Porque, no fundo, não era só sofrimento. Era resistência. Era o tipo de vida que não dava opção de desistir. Quem precisava chegar, chegava — nem que fosse com barro até o joelho e história pra contar.
A Serra da Pitanga viu muita coisa passar: ônibus atolado, caminhão patinando, gente ajudando gente sem precisar pedir. Viu também o tempo mudar, o chão endurecer, o progresso chegar. A estrada virou rodovia. A PR-466 encurtou distâncias que antes pareciam eternas.
Mas há algo que o asfalto não cobriu: a memória.
Ela segue viva — na lembrança dos que viveram, no sorriso meio irônico de quem conta, e no espanto de quem hoje apenas observa uma foto e se pergunta: “Será que era assim mesmo?”
Era. E talvez fosse justamente por isso que cada chegada tinha gosto de vitória.
