Com base no acervo de Sergio Luiz Grande e memórias locais compartilhadas e comentadas nos grupos de Pitanga no Facebook em 2019.
Entre os galpões de madeira, pilhas de tábuas recém-serradas e o cheiro constante de pinho e peroba, viveu-se boa parte da história econômica e social de Pitanga. A Serraria São João, da firma Grande & Cia, fundada nos anos 1940 por Constante Grande e Antenor Grande, operou até 1981. Mais que uma indústria de madeira, foi um núcleo de vida, trabalho, convivência e formação identitária para gerações de pitanguenses.
📍 Localização:
Situava-se onde hoje está o Frigodasko e a Fazenda de Osni Schon, em um ponto estratégico junto ao rio, à mata e à rodovia, cenário perfeitamente capturado nas fotografias aéreas de 1976 publicadas por Sergio Luiz Grande.
🪵 A potência da madeira:
Com mais de 40 anos de operação, a serraria impulsionou a construção civil regional e gerou centenas de empregos diretos e indiretos. Trabalhavam ali serradores, empilhadores, motoristas, carpinteiros e operários de diversas funções. As moradias dos trabalhadores organizavam-se ao redor da estrutura produtiva, criando uma espécie de vila operária: “os Grande”, como era conhecido o local.
👷♂️ Memórias vivas:
Relatos de descendentes ajudam a reconstruir o valor humano do lugar:
- Roberto Buchmann lembra que seu pai, Alexandre Buchmann, foi gerente da serraria nos anos 60.
- Elyanne da Rosa afirma que ela e seus irmãos nasceram ali, e o pai, Osmindo Telles da Rosa, trabalhou por muitos anos no local. Ela menciona um bar da família e um time de futebol mantido pelo pai.
- Keltel José Zito recorda que seu pai, Bernardo Keltel, foi serrador até o último dia de atividade.
⚽ Além do trabalho, a vida:
Havia um campo de futebol em frente à serraria, onde hoje está parte da fazenda de Osni Schon. Ali se formaram vínculos, amistosos e torneios, criando laços comunitários que resistem ao tempo.
🛑 Encerramento e legado:
A serraria fechou as portas em 1981, não por crise, mas pela idade avançada de seus fundadores. Seu encerramento marcou o fim de um ciclo da era da madeira em Pitanga, mas deixou raízes profundas nas memórias familiares, nos nomes de ruas e na alma da cidade.
📸 Patrimônio visual e afetivo
As fotos compartilhadas por Sergio Luiz Grande mostram a serraria em plena atividade — os trilhos, o empilhamento ordenado da madeira, os barracões e o rio serpenteando o terreno. São imagens que merecem destaque em qualquer museu ou publicação sobre Pitanga.


✨ Conclusão
A Serraria São João não é apenas história — é chão de memória. Resgata a dignidade do trabalho braçal, a construção de sonhos simples e a fundação de uma cidade que cresceu ao som das serras elétricas e à sombra das araucárias.
Nós da AECAPI, com o compromisso de preservar e difundir esse legado,
continuaremos tornando visível o que o tempo quase apaga.
